Saturday, March 12, 2016

Tapoli

Quando era criança eu era muito seco. Até os meus pais tinham vergonha ao me introduzir a alguém. Talvez os outros pensavam que os meus pais não me davam comida. Mas era contrário. Eles me davam bastante comida para que eu ficasse gordo, pelo menos naquela época ser gordo era coisa de saúde. Aliás até hoje também.Porque quando minha esposa foi para a Índia primeira vez, ela tinha comido um monte de porcaria tipo McDonald todo dia. Quando ela foi para a minha cidade, para a minha casa, os meus pais talvez acharam ela com saúde. Foi no ano de 2012 quando estava lá na casa do meu pai, lhe mostrei umas fotos da minha esposa. E ele me perguntou se ela estava doente porque ele achou magra. Eu lhe disse que ela estava malhando e por isso que estava magra.

As vezes o meu pai me levava para médico homeopata ou aiurvédico e eles me davam uns remédios ou algum tônico para engordar. Eu gostava de ir aos médicos, porque era nada de tomar injeção. Eu gostava dos remédios doces. Mas o efeito era nada. Eu continuava magro e magro e os meus pais continuavam me levando para médicos.

Quando me levavam para as festas de casamento, e sentávamos juntos com os colegas deles, meus pais até sentiam vergonha, porque eu comia as comidas como se tivesse comido NADA na minha vida antes.Mas eu não ligava para nada, só comia até não ter espaço na minha barriga.


Eu ficava feliz quando alguém me dizia que estava meio gordo ou meu rosto estava redondinho em vez de quadradinho.O resto do meu dia ficava bem colorido ao ouvir isto. Mas era muito raro eu ouvir essas palavras mágicas.

Quando era criança, os meus pais não eram ricos. A gente não tinha muitas roupas. Tinha bem poucas roupas e usava-as até rasgar em pedaços. Se aparecesse algum furo,ou rasgasse um pouco a minha mãe que costurava e tapava os furos. As roupas com os buracos tapados eram chamadas "tapoli mora kapur". Eu tinha duas ou três bermudas só e sempre aparecia buracos nelas, porque eu sempre subia nas árvores ou pulava cercas de vizinhos. A minha mãe sempre tapava os buracos e ela sempre usava tecido de outra cor para tapar os buracos. Se eu tinha bermuda de cor azul, era difícil de achar um tecido de cor azul para tapar o buraco, então ela usava tecido de qualquer cor para tapa-lo. As vezes as minhas bermudas ficavam bem coloridas com tantos buracos tapados com cores diferentes. Se fosse hoje seria uma moda dessa época. E eu não tinha vergonha de usá-las. Sempre mostrava para os meus amigos com orgulho dizendo que furei a minha bermuda quando corri atrás da vaca que entrou na nossa fazenda e derrubou duas bananeiras.


E quando as bermudas ficavam pequenas sem rasgar em pedaços ? Eu já disse que comprava novas bermudas só se rasgasse em pedaços ou não tinha nem um jeito para utilizar.Aliás eu raramente lembro que meus pais compravam bermudas para mim. Quando as calças sociais do meu pai ficavam pequenas e ele não conseguia mais usá-las para trabalho, a minha mãe cortava as pernas da calça e diminuía a cintura e costurava para virá-la uma bermuda nova para mim. E eu ficava sempre sempre feliz quando ganhava.Então, quando as minhas bermudas ficavam pequenas sem rasgar em pedaços, a minha mãe folgava a cintura e costurava para que eu pudesse usá-la por mais tempo.


Uma vez, eu tinha duas bermudas da mesma cor, era marrom. A minha mãe sabia que uma era meia apertada, então ela pegou-a e folgou a cintura e deixou na cama sem costurar (para arrumar depois). Quando eu voltei da escola, eu peguei-a e coloquei e fui para jogar bola numa fazenda perto. No caminho eu achei a minha bermuda caindo e me preocupei , "Meu deus, estou magro de novo". Eu fiquei muito triste e voltei para casa e deitei na cama e dormi. Só depois quando minha mãe procurou a bermuda para costurar, eu descobri o verdadeiro e fiquei feliz.

Outra vez, eu acordei um pouco tarde e fiquei atrasado para escola e corri para escola. Na escola, o dia inteiro, eu fiquei muito feliz porque estava me sentindo meio gordo porque a minha cueca estava bem apertada. Quando voltei da escola, e troquei minha roupa, eu vi que a minha irmã estava olhando para mim e chorando, porque eu usei a calcinha dela na maior pressa. A minha felicidade terminou num milissegundo.

Eu tinha oito ou nove anos naquela época.Hoje eu tenho bermudas que ficam caindo em qualquer gaveta que eu abro, de cores diferentes. Até tive que doar um monte de bermudas porque não tive lugar para guardá-las. Mas eu não tenho nem uma bermuda "Tapoli mora" que conte alguma história para mim. Sinto saudade daquela época.

Amem !!!

Sunday, March 6, 2016

Cotton Plant.

Uma história é o resultado da reação ao descobrir algo novo ou emocionante, cedo ou tarde na vida monótona de dia a dia.Contar as histórias de nossas vidas talvez seja um dos caminhos mais poderosos para se livrar de estresse da vida cotidiana. E eu tenho tantas histórias para contar, por quê ?

Quando dar tempinho para parar um pouco e olhar a minha vida para trás, fecho meus olhos e parece que passa um filme. Talvez eu possua uma memória muito boa e por isso que é difícil de esquecer algo da minha vida.Tudo é claro para mim e talvez lembre de cada momento da vida que vivi na infância e adolescência.

Estou lendo o livro "Caçador de Pipas" e estou simplesmente amando a escritura do leitor. Cada detalhe que ele relata, dá para criar a imagem muito clara na mente enquanto fico lendo sem parar. As histórias deles, as brincadeiras que ele escreveu nesse livro são bem parecidas com as minhas na minha infância. Simpatizei simplesmente.

Eu estava andando com a minha filha hoje na rua. Ela estava andando bem devagarzinho e eu tive que parar toda hora e lhe pedia para andar rápido. E ela corria um pouco para segurar o meu dedinho.

Quando eu tinha sete anos e a minha irmã tinha quatro anos estudávamos numa escola bem perto da minha casa. Dava mais ou menos um quilometro da nossa casa para a escola. As crianças da minha localidade iam para escola a pé. Ninguém tinha carro naquela época para levar seus filhos para escola. Umas pessoas tinha moto. O meu pai tinha uma também e as vezes levava nos para escola. Quando passava perto de outros meninos indo para escola, eu ficava com orgulho e olhada para eles e gritava "ganhei". Quem tinha carros eram ricos e a gente respeitava-os. 

Os meus pais também mandavam eu e a minha irmã ir para escola a pé. Não tinha medo de ser sequestrado como aqui no Brasil. Só poderia ser sequestrado por "Burha Dangoria", um caráter imaginário tipo "Saci Perere". Então, todo mundo ia a pé e eu e a minha irmã se juntavam com eles. Fazendo barulho na rua, conversando e indo para escola. Minha irmã tinha quatro anos e sempre ficava trás quando íamos para escola juntos. Eu sempre tinha que parar e chamar "Veeemmmm lerdinha". Ela corria para se juntar comigo. As vezes eu ficava falando sem olhar para ela e depois descobria que ela já ficou bem longe de mim , olhando para um passarinho colorido numa árvore. Eu tive que voltar e pegar a mão dela e arrastar para escola. Eu lembro bem claro que na rua da escola tinha uma árvore de algodão. A cena é bonita ao amadurecer os algodões. Os algodões saem de cascas e começam a voar. Uma visão linda. Quando passava pela essa árvore eu e minha parávamos  para ver se saiu o algodão. Todo dia parava na frente dela e quando via os algodões saindo das cascas, eu subia nela e pegava uns. Eu dava uns para minha irmã e com o resto eu fazia bigode de mentira e falava para minha irmã, "Sou Burha Dangoria, vou te pegar". Ela corria para frente e assim eu não precisava olhar para trás para chamar ela. Naquela época eu tinha sete anos e a minha irmã tinha quatro anos, idade de minha filha agora.

Não consigo parar de pensar dos momentos bem vividos quando vejo umas semelhanças  desses na minha vida de hoje. Amo todos os meus momentos bem vividos e quero contar para quem quiser ouvir. Talvez um dia quando a minha filha vai crescer ela leia os momentos bem vividos do pai dela.

Amem !!!

Saturday, March 5, 2016

Snoopy e Charlie Brown

Eu gosto de filmes de crianças e se for 3D nem me pergunte. Na minha infância, eu não tive nada, absolutamente nada. Só tinha televisão em casa quando tinha oito ou nove anos. E para as crianças não passava nada na televisão. Só nos domingos passava um desenho do Micky Mouse e era o único fonte de diversão para nos. E para piorar quase sempre faltava energia duas ou três vezes no meio do desenho. Quando faltava energia, íamos para a rua na frente da casa para brincar com um ouvido fixo no grito do meu pai para ouvir ele chamar quando voltava luz.


Então, hoje em dia eu aproveito quando passar filme infantil na cinema. E hoje mesmo fui para cinema e levei a minha filha para assistir "Snoopy e Charlie Brown". Minha filha gosta de assistir filmes na cinema. Não dá trabalho nenhum. Lhe dou pipoca e uma garrafa de água ou copo de refrigerante e ela fica simplesmente assistindo o filme, e as vezes rindo alto e perguntando algo tipo, "Cade o controle para diminuir o volume ?". Eu acho muito engraçado e aproveito cada segundo com ela. Umas experiências inesquecíveis e irreversível. Simplesmente adoro assistir filme com ela.


Depois quando saímos do filme, tinha uma piscina gigante de bolinhas. Ela me forçou para entrar lá. Achei meio caro (um real por um minuto). Acompanhei-a por quinze minutos e aproveitei cada segundo com ela. Na hora de tirá-la ela chorou e tive que mentir que ia de novo no dia seguinte. Voltou feliz comigo, tomamos picolé de uva na rua e tirou uma soneca de tarde com felicidade. Lhe dei comida agora de noite e deixei-a na cama para dormir e encerrar o dia feliz, e estou aqui no meu blog resumindo o dia.

O tempo passa tão rápido que nem dá para reparar. Ela já fez quatro anos. Parece que foi só aquele dia quando ela nasceu no hospital , com a cabecinha de maçã que nem conseguia levantar a cabeça , que eu tinha que levantar a cabeça dela na hora de dar gagau, que nem deixou nos dormir no primeiro mês dela, que acordava em cada três horas aos três meses dela, e eu que sempre dormia com ela desde que ela nasceu e tomava liquor para dormir quando ela me acordava em cada três horas.....e hoje em dia dorme no quatro dela próprio sem ajuda de ninguém, levanta na cama e dá boa noite e pronto. Cresceu na minha frente, nos meus olhos.... hoje em dia, ela corre, anda de bicicleta, de patins... não cabe mais no meu colo.. fala tudo.... até conta história dela mesmo "Quando eu era pequena eu chorava assim, uee uee uee"... Parece só ontem. Eu não sei se preciso ficar feliz ou não porque ela está aprendendo tudo, mas as vezes sinto saudade porque ela é irreversível. O que que eu vi nela hoje, neste minuto, neste momento , amanhã não terá mais. Vai crescer. Antes chamava roupas delas como "coxe coxe" e hoje chama roupa mesmo, hoje me chama "papai papito lindo gostoso" e amanhã vai ser só "papai" ou talvez nada.... sinto saudade...

Queria que o tempo parasse para que eu aproveitasse mais um pouquinho.


Mar de bolinhas.




Na cinema



  

Sendo independente.

Quando era criança , a gente não tinha empregada em casa. Nem hoje tem porque é difícil de arrumar alguém confiável lá onde eu nasci e cresci. Então, desde a minha infância, os meus pais ensinavam nos para ser independente nos trabalhos de casa. Desde que eu sei falar, eu sei lavar prato e varrer a casa.

Para incentivá-nos para lavar pratos, o meu pai dava para min e para a minha irmã os pratos próprios e a regra era para usar só os pratos próprios. Se não me engano, eu tinha dois pratos, dois copos de beber água e seis potes pequenos para colocar curry etc. Então, sempre depois de comer tinha que lava-los se não ficaria sem pratos e copos. As vezes eu ficava com preguiça de lavar pratos e queria roubar os pratos da minha irmã e ela chorava e meu pai me dava umas tapas.

Eu não tinha meu quatro próprio quando era criança. A gente morava numa casa pequena para caramba e só tinha uma sala de estar,um quatro, cozinha e um banheiro. O meu pai converteu o banheiro a um quatro para eu estudar e deixar as minhas coisas. Naquela época eu tinha cinco ou seis anos. O quatro (que era banheiro) era pequeno e só cabia uma mesa pequena e uma cadeira e uns brinquedos(queria dizer meus ferros velhos que catava nas casas dos amigos). Então, o meu pai me obrigava a varrer o meu próprio quatro todo dia.

Quando tinha 14 anos, a gente mudou para outra casa e eu tinha o meu próprio quatro grande. E antes de ir para escola e sempre varria o quatro, arrumava minha cama, minha mesa. Foi uma experiência e educação ótima que até hoje agradeço aos meus pais para me ensinar ser independente.

Seguindo a mesma educação, eu também estou tentando educar a minha filha para ser independente. Nunca deixo ela deixar o quatro dela bagunçado. Lhe peço sempre para dobrar a roupa quando trocar e colocar na gaveta direitinho. Lhe peço para varrer a sala se ela sujar, lhe peço sempre para arrumar as bonecas que joga na sala. Se ela negar, não levo para brincar. E funciona sim. Hoje em dia ela sabe dobrar a roupa, arrumar bagunça e colocar as bonecas nos lugares próprios. Me sinto orgulhoso.

Amem !!!

Monday, February 29, 2016

A Lavadora

A máquina de lavar quebrou.As roupas jogadas no cesto estão virando uma montanha.Parece que é um grande problema porque ninguém acostuma lavar roupa com  mão ao contrário da minha vida na Índia onde eu passei a minha infância, adolescência sem saber o que era máquina de lavar.

Mas finalmente nessa vez quando fui à Índia vi o meu pai usando a máquina de lavar. Na verdade o netinho (Filho da minha irmã,primo de Didi) dele estava lá na casa dele, e ele sujava roupas toda hora. Por isto que ele ligou a lavadora e jogou as roupas sujas nela. Mas para uso normal de dia a dia, tipo lavar roupas dele, ele nem usa a máquina, simplesmente lava com mão. Quanto eu lhe perguntei por que não usava a máquina de lavar, ele me respondeu que era melhor usar mão porque assim dava para flexionar as mãos, fazendo exercício.

Hoje em dia, eu ligo mesmo para ela. Eu não posso imaginar a minha vida sem ela. Agora estou lavando as minhas roupas com minhã mão e estou sentindo um saco. Como a garantia dela acabou, eu até abri-a e pelo menos descobri o problema com ajuda de um monte de tutoriais e vídeos assistindo no youtube. Mas talvez eu chame um técnico porque não estou achando a peça que preciso.


Saturday, February 13, 2016

Filme no ar livre

O primeiro filme no cinema da minha filha foi quando ela tinha 3 anos e pouco, se não me engano foi no mês de junho do 2015. O filme foi Minions. Ela simplesmente adorou. Eu pensava que ela ia dar problema tipo chorar na sala, ou fazer cocô ou encher saco. Mas ao contrário foi uma surpresa, ela se comportou simplesmente como uma mocinha educada.

Comprei pipoca e lhe dei e ela ficou sentada no assento e assistindo o filme inteiro sem encher saco. No inicio quando passava as propagandas, o som era alto e ela me perguntou, "Cade o controle para diminuir o volume ?". Depois me falou para comprar uma tela gigante para assistir filme em casa. Eu fiquei simplesmente rindo. Isso foi o primeiro filme dela.

Depois o segundo filme no cinema foi no Maceió. Aliás a gente não foi para Maceió para assistir filme. Quando a gente estava no Maceió , estava chovendo para caramba e não deu para fazer nada , então estava no cinema para aproveitar algo. O filme foi "Divertidamente", e talvez ela não entendeu nada mas gostou o filme. Depois ficou me contando sobre as bolas coloridas.

Depois o terceiro filme no cinema foi Hotel Transylvania 2. Até eu gosto desse filme e assisti o primeiro no cinema sozinho após trabalho. Nesta vez ela foi com a turma da escola dela. Depois ela ficou me contando sobre os monstros que ela viu no filme.


Bom, quando eu era criança, tinha quatro ou cinco salas de cinema na minha cidade. E depois fechou um por um e hoje em dia só existe um lá na minha cidade. É uma pena. Se eu não me engano o meu primeiro filme na sala de cinema foi "Bordoisila", um filme Assamese (a minha língua). Eu tinha cinco ou seis anos e era chato para caramba. Toda hora pedia a minha mãe que queria sair, e o filme era chato. A minhã mãe só tentava me acalmar assim, "Vai acabar logo, espere um pouco mais". Talvez isto foi o primeiro e o último filme que eu assisti com a minhã mãe e o meu pai. Nunca mais assisti filmes com eles desde aquele ano.

Quando fiquei um pouco maior, eu ia para shows de cinema exibidos num Tea Estate ( fazenda de chá) perto da nossa casa. Lá quase sempre tinha esses shows para os trabalhadores de fazenda nos fins de semanas. Lá não tinha sala tipo vê-se nos shopping. Montava uma cortina branca gigante num espaço livre no meio da fazenda, montava umas caixas de som e todo mundo esperava escurecer para ver os filmes. A noite, todo mundo levava colchão ou cadeira ou as vezes folha seca de bananeira ou quem tinha pressa pegava alguma folha de árvore selvagem. Todo mundo esperava o técnico colocar filme na maquina. Também via uns estantes pequenos para vender álcool local ( que vai te matar com certeza se beber muito), uns salgados podres, ou fritos. Quando o técnico demorava para colocar filme , o povo gritava. O povo era baixo astral porque a maioria era os trabalhadores quem viviam trabalhando nas fazendas de chá e a maioria não tinha educação ou não queria estudar. Raramente via algum quem era um pouco "alto" astral, talvez eram os gerentes deles ou lideres. Os filmes que eles colocavam eram filmes velhos do Bollywood, raramente via algum filme novo. Quando passava música ou dança os bêbados dançavam para caramba até cair no chão. Os shows duravam a noite inteira até amanhecer. As vezes as fitas dos cassettes rasgavam e o povo gritava e reclamava e queria brigar com o técnico. Para consertar, o técnico teve que cortar uns pedaços da fita e colocava de novo na máquina e todo mundo ficava feliz. Até as vezes rolava umas paqueras entre os jovens. Também acontecia uns pequenos incidentes tipo a mulher de um rapaz fugiu com outro cara enquanto assistia filme, ou talvez uma coceira terrível no bumbum quando pegava folha bruta de árvore selvagem para sentar no chão. O mundo pequeno, o povo pequeno, e a felicidade nas coisas pequenas...


E eu fui nesses shows. Era uma experiência inesquecível.  Mas depois o meu pai não me deixava muito ir porque quase sempre tinha brigas e as vezes até morria gente nas facadas. Enfim, assistir filme sempre foi uma coisa legal, tanto na cinema com ar, quanto no ar livre.


Minions. O primeiro filme no cinema da minha filha.

Um Tea Estate no meu estado (Assam)

Eu baixei essa foto da internet só para dar uma visão sobre "filme no ar livre". 

Friday, February 12, 2016

Chocolate Day

No mundo inteiro, o dia dos namorados é no dia 14 de Fevereiro ao contrário no Brasil onde o povo comemora só no dia 12 de Junho. Até na Índia o povo comemora essa data no dia 14 de Fevereiro. Chamamos o dia como "Valentine's Day" ou simplesmente "V Day".


Não tinha nem um significativo desta data para mim quando eu morava na Índia. Porque era solteiro para caramba e só andava com os meninos. Era meio nerd e sempre tinha vergonha de se aproximar às meninas. Falar com meninas era outra coisa , até se visse alguma conhecida na rua, eu pegava outro caminho para não passar na frente dela. Era assim eu na Índia. Por isso que nunca consegui arrumar uma namorada até os meus 23 anos.E um puro verdadeiro é que se a minha esposa não me pegasse naquela época na Índia, eu seria virgem para sempre na vida.


Quando estava fazendo a minha graduação na Índia, na faculdade o povo comemorava a semana inteira até 14 de Fevereiro. O cada dia tinha significado tipo "Chocolate Day","Rose Day" etc, eu não estou me lembrando agora. No ano final da minha graduação, uma menina da minha turma me deu um chocolate no dia de "Chocolate Day" na sala de aula. E eu estava tudo envergonhado, e os meus amigos nerdes estavam olhando para mim e fazendo cara de macacos. Quando a aula acabou, todo mundo (os nerdes) me acercou e me forçou para leva-los para restaurante para comemorar. Eu não tive outro jeito, e também estava feliz e fomos para um restaurante de noite chamado "Sugar and Spice" que ficava perto da faculdade. Lá tive que gastar dinheiro para comprar "Pastry" para todo mundo.

Como eu era um nerd !!!!

A galera.

Wednesday, February 10, 2016

Curitiba, simplesmente amei.

Eu já moro no terceiro mundo e parece que ao meu redor vejo povo do quinto mundo. Fui perguntado o que ia fazer no carnaval deste ano de 2016, e na resposta disse que ia viajar para Curitiba para passar uns dias lá. E a reação do perguntador, "Nossa, que RICO". Se essa reação foi o resultado de uma zueira, eu vou ficar quieto, mas se for de verdade vou morrer de vergonha de estar aqui.

Não se precisa ser RICO para viajar, basta precisa-se ter uma vontade. A minha esposa hospedou dois rapazes da Polônia aqui no nosso apartamento (Couch Surfing), e eles eram dois universitários sem dinheiros e estavam viajando pelo mundo.Até vi na página do facebook deles que estavam pegando carona num caminhão para viajar para Santa Catarina. Então, eles não são ricos de dinheiro , mas são ricos de força de vontade.

Enfim, larguei o carnaval super famoso de Salvador pela quinta, e pegamos um avião bem na madrugada para Curitiba. Horário do avião era pelas 02:20 de manhã mas demorou e voou só pelas 03:00. Estava cansado e assim que me sentei no assento, eu dormi. Só acordei quando uma aeromoça passou e esfregou a bunda na minha cabeça pendurada para o corredor. Tivemos avião direto de Salvador para Curitiba, então foi maravilhoso. Chegamos em Curitiba pelas seis e meia se não me engano. Tinha ônibus em cada 15 minutos de aeroporto para o centro de Curitiba e custava bem pouco, era 13 reais por cabeça. Que coisa maravilhosa! Até hoje não há ônibus direto do aeroporto de Salvador para Rodoviária. Tem alguns que passa só pela orla. Então quem quiser ir para rodoviária do aeroporto de Salvador, se ferra pagando táxi ou pulando de um ônibus para o outro ônibus.

Enfim, pegamos o ônibus de aeroporto de Curitiba para o centro. Levou quase meia hora para chegar no nosso destino. Em Curitiba, eu acho que os hoteis são baratos. Por 130 reais por noite acha-se um hotel maravilhoso. A gente ficou num hotel chamado Golden Park Hotel e por noite a tarifa era 150 reais. Ficava na rua chamada Rua Mariano Torres. Hotel era simplesmente maravilhoso. Tinha quarto tão gigante que pareceu que tinha mais metro quadrados do que nosso apartamento em Salvador. Chegamos pelas 07:00 horas e logo após tomar café-de-manhã tomei Dramin-B6 e dormi como uma pedra.

Acordei só pelas 13:00 horas quando a fome bateu. Minha companheira ainda estava dormindo e eu desci para dar uma olhada na área, o centro de Curitiba. Quando eu andei no centro, a minha primeira sensação foi assim, "Nossa, cade o cheiro de xixi na rua, cade o lixo." Vi flores, parques , árvores bonitas. Tudo limpo e cheiroso. O povo parava carros e esperava atravessar as ruas. Pela minha surpresa, eu não vi nem um pacote de salgado ou garrafa de água ou refrigerante no chão. Fiquei pensando , "Cade o barulho de músicas no alto volume, cade os carros com som super alto, cade o povo barulhento gritando e falando em voz alta". De repente passou uma sensação estranha, "Será que todo mundo virou zumbi após uma Zika piorada". Vivendo cinco anos aqui em Salvador no meio da cultura barulhenta, para mim foi um choque cultural em Curitiba. Mas foi um choque bom. Aliás comecei a amar a cidade instantaneamente.

Andei uns blocos e achei um restaurante. Na verdade a gente chegou em Curitiba no fim de semana e então as lojas e restaurantes estavam fechados. Por isso que tive que andar um pouco. Comi lá bem e voltei para o hotel. Depois acordei a minha esposa e a minha filha para descer e almoçar. No primeiro dia não deu para fazer muitas coisas. A gente estava muito cansado e queria só relaxar. Lá anoitece um pouco mais tarde que aqui. Também Curitiba estava no horário verão. Então escurecia só pelas oito ou oito e meia de noite. De noite fomos a um restaurante chamado 8 Bierburger , uma hamburgueria gourmet. Foi muito delicioso mas um pouco caro. Mas compensou. Não fiz nada interessante de noite e dormimos cedinho.


No dia seguinte, no domingo, a gente planejou para visitar os lugares turísticos de Curitiba. Lá tem ônibus turísticos que passa em cada 30 minutos. Compra-se uma entrada+4 reentrada por 40 reais.Os ônibus passam pelas lugares turísticos e pode-se descer em qualquer lugar do seu gosto até acabar suas reentradas. Mas infelizmente os ônibus estavam tão lotadas que a gente desistiu de pegar ônibus e preferiu pegar táxi.

A gente foi para o jardim botânico de Curitiba, o mais famoso. Eu simplesmente tinha visto dele nas fotos, vi pessoalmente primeira vez. Tinha flores em todo canto e pela minha surpresa eu não vi nem uma pessoa ou criança arrancando as flores. Eu já imaginei como seria a cena se fosse aqui em Salvador. Também conheço umas pessoas de Salvador que foram para esse parque e arrancaram umas flores para colocar no cabelo. Uma vergonha.


Tinha um lago e tinha um monte de peixe e tartarugas. A minha filha adorou as tartarugas. Tinha uns paulistas (deve ser do interior de SP), com o sotaque de diarréia falando , "Olha tarrrrrrrtaruga, peixe". Sotaque feio para caramba. Parece que nunca tinha visto de tartaruga na vida. Andei lá um pouco, tirei as fotos e depois saí. Estava fazendo muito calor lá.

Depois a gente optou para passar no Bosque Alemão, um outro parque super legal num bairro chique. Neste parque contava a famosa história de João e Maria.Tinha uma trilha no meio de floresta e em cada cinco metros tinha placas que contava a história passo a passo até chegar numa casa da bruxa. Na casa da bruxa, tinha uma mulher contando a história e um monte de crianças incluindo os adultos estavam escutando a história. De repente apareceu a bruxa. A minha filha ficou com medo da bruxa e chorou e a gente teve que deixar a casa da bruxa. Parque era muito legal para crianças. Adorei simplesmente.

Depois a gente foi para outro lugar chamado bosque João Paulo II. Tinha sete casa típicas polonesas lá. Tinha flores em qualquer lado. Casas lindas. Entrei numa casa e vi uma ferramenta para azedar repolhos. Imagine que trabalho. Depois fomos para um restaurante polonesa para provar uns pratos. Pedi um prato chamado "Golapki". Era gostoso simplesmente.

Quando estava andando na rua, tinha o carnaval típico de Curitiba, o "Zumbi walk". Mas pena que começou a chover para caramba e tivemos que pegar um táxi e voltar para hotel. Na rua vi um monte de gente maquiada e caindo a maquiagem na chuva. Coitados !!!

Chegamos no hotel, tiramos uma soneca. O tempo passou tão rapidamente que acordamos só pela noite. Estávamos muito cansados de andar tanto. O clima de Curitiba é estranho. De dia faz calor e de noite faz frio. Quando faz calor te queima, e quando passa um vento te congela. Não se sua lá. Estranho clima, mas gostei. No inverno deve ser paraíso lá.


No dia seguinte , uma amiga da minha esposa nos encontrou. Ela nos levou para um lugar chamado Morrete em Paraná. A gente foi de carro e ela dirigiu. Levou quase uma hora e meia para chegar lá. Um lugar simplesmente lindo, paraíso. O povo vai para lá para fazer boia-cross no rio Nhundiaquara. O lugar é bem parecido com Tiradentes. Um hill-station aliás. Tinha restaurantes, comidas típicas, coisas artesanais etc. O que eu gostei mais de lá foi os sorvetes e picolés. Tinha sabor de tudo que se podia imaginar. Bom e barato. Comi a comida típica Barreado da paraná. Era muito bom. A minha filha viu uma crianças brincando no rio em baixo de um ponte e ela queria entrar na água também e começou a fazer a drama de chorar. A gente não teve outro jeito e levou a para pular no rio. Depois de passar uns tempos a gente voltou para o centro.

Depois a gente foi encontrar uma nossa amiga que morava perto do nosso hotel. Lá a gente passou a tarde inteira brincando, comendo e conversando. De noite voltou para hotel andando e após comer jantar dormiu logo.

No dia seguinte, a gente tinha avião para Salvador pelas oito e meia de noite. Então a gente tinha o dia inteiro para passear. Minha esposa optou para ir para um restaurante indiano lá em Curitiba. O nome do restaurante era Tuk-Tuk. A gente pegou um táxi e chegou lá. O bairro onde ele ficava era muito legal. Era silencioso para caramba e só tinha casas. O ambiente do restaurante era bem caseiro e legal. O dono era brasileiro. A gente pediu Samosa e um prato de sul da Índia que nem eu conhecia. Eu me achei e pedi para colocar o alto nível de pimenta. A Samosa era deliciosa. Mas apos comer umas colheres do prato, eu comecei a soar, eu fiquei vermelho e só fiquei bebendo água. Até o dono veio e me perguntou se a comida era boa. Eu lhe respondei que a pimenta era massa. Depois de comer a gente tirou umas fotos e eu só queria voltar para hotel, porque não estava aguentando a pimenta. Ao chegar no hotel, fiquei no toalete umas horas e fiquei tomando ducha. A gente cancelou os planos para o resto do dia e preferiu só dormir e depois ir para aeroporto.

Depois pelas seis da tarde, a gente pegou um táxi e chegou no aeroporto. O aeroporto de Curitiba era legal. Mas achei os restaurantes super caros. Eu fui num restaurante tipo Sub-way para comer um sanduíche e era caro, 16 reais era o bais barato.Depois embarcamos no avião. O avião demorou quase uma hora no aeroporto porque estava chovendo para caramba. Finalmente chegamos em Salvador pelas 00:30 horas e finalmente em casa pelas 01:30 e agora estou escrevendo o meu blog.

Enfim, adorei Curitiba e até agora ela é a única cidade aonde eu vou querer voltar de novo e se tiver chance eu morarei lá.

As fotos,

No avião (De Salvador para Curitiba)

O nosso quarto gigante.

No restaurante 8 Bierburger.

No restaurante 8 Bierburger.

Muito bom.



O jardim botânico

The Green House.

 O jardim botânico.

O jardim botânico.

Olhando os peixes e tartarugas.

Uma tartaruga.

Na casa da bruxa, a moça estava contando história da bruxa. No parque Bosque Alemão.

A bruxa (Boque Alemão)

A casa da bruxa. (Bosque Alemão)

A trilha no bosque alemão.

Uma folha da história de João e Maria.(Boque Alemão)


Golapki.

No parque João Paulo II.

Uma casa polonesa (João Paulo II)

Uma casa polonesa. (João Paulo II)

As casas polonesas. (João Paulo II)

Ela queria brincar no rio em baixo da ponte. (Em Morrete)

Comida típica de Morrete, Barreado.

Picolés (em Morrete)

Na casa de uma nossa amiga em Curitiba. Minha filha esta com ciúme.

No restaurante indiano, Tuk Tuk.

No restaurante indiano, Tuk Tuk.

O restaurante Tuk Tuk



Friday, February 5, 2016

A Índia é do primeiro mundo !!!

Eu estava com a minha filha no parquinho do nosso condomínio brincando. De repente veio uma mulher com o filho dela. Minha filha e ele fizeram amizade instantaneamente. Ambos estavam com patinetes e eles começaram a brincar sozinho.

Eu e a mãe dele ficamos num banco no parquinho. A moça que começou a puxar um papo comigo falando um monte de coisa. Falou que onde morava antes não tinha parquinho para brincar e aqui era bom porque tem parquinho para crianças brincar tal tal.

Em algum ponto ela me perguntou em qual andar eu morava. Eu lhe disse que no último andar e a rasão era não escutar barulho feito por povo mal educado de cima. Ela me respondeu que o povo do aparatamento de cima dela também faz barulho mas ela não liga. E elas também fazem barulho no chão.


Eu só fiquei silencioso por que eu não tinha muita esperança das pessoas daqui onde eu moro. Em algum ponto ela me perguntou eu era de onde, talvez ela percebeu que eu não devia ser baiano ou brasileiro por causa do meu sotaque. Eu lhe respondei que eu era da Índia, outro lado do mundo. E ela me falou, "Que legal. A Índia é do primeiro mundo né ?".

O que vou dizer agora ?


Friday, January 29, 2016

Bola de Fogo.

Hoje de noite eu estava meio ocupado na cozinha. Aliás estava fazendo o meu jantar. Não tinha nada na geladeira e só estava tentando fazer um curry recolhendo umas batatas podres num canto da geladeira. Só tinha duas batatas e uma meia batata. A crise viu !!! No domingo passado fui fazer umas compras no Bom Preço. Batata estava 7,54 reais por kilo, tomato estava valendo 8,54 por kilo e cebola estava 7 reais. Só comprei 6 batatas e nada demais. Pobreza ne !!!

Enfim, estava fazendo uma gororoba de batata, alho, e uns temperos. Só queria encher  a panela e queria encher a minha barriga para não gastar dinheiro comendo fora. Preciso economizar um pouco. Ano começou com uma bala. Escola de bebê já começou, as matérias de escola dela custaram mais que mil reais, mensalidade nove centos reais só por um turno...Nem comprei todas as matérias. É um saco. Precisa comprar prato e copo de cor amarelo. Busquei em todos os lugares baratos mas não achei de cor amarelo. No ano passado foi de cor azul. Tinha promoção no bom preço do Iguatemi e eu comprei um conjunto de prato e copo azul só por 7 reais. Depois fiquei com  pena porque descobri que era meio vagabundo mas serviu. Mas foi meio sacanagem porque para gravar o nome dela custou oito reais em cada um.

Bom, não era isto que queria escrever hoje aqui.Queria escrever outra coisa. Então, voltando para o que eu estava fazendo, uma gororoba. Minha filha estava na sala jogando algo no meu tablet. De repente tocou o telefone. Eu lhe pedi para atender. E ela atendeu e falou, "Quem é ?". A pessoa de outro lado devia lhe perguntou quem ela era e a minha filha respondeu , "Sou eu.". Eu ri e me lembrei de um incidente bem antigo que aconteceu aqui comigo há 5 anos.


O funk "Bola de fogo" foi a minha primeira música brasileira que fui introduzido pela minha esposa quando ela foi para a Índia na segunda vez para o nosso casamento. Eu não entedia nem uma palavra naquele momento mas a minha esposa escreveu as letras num papel e me ensinou os significativos. Depois uma aulinha para como cantar e dançar. Então essa foi a minha primeira música brasileira. Até hoje me lembro das umas letrinhas da música.

"Aloo.."
"Qual é foguentinha ?"
"Quem tá falando ?"
"Sou eu. Bola de fogo......"

Então, depois quando eu cheguei aqui (há cinco anos mais ou menos), a gente se divertia cantando essa música, imitando esse cara baixinha no telefone. Até as vezes quando a minha esposa ligava para o telefone da casa eu lhe respondia, "Sou eu, bola de fogo.". Ficou um hábito aliás. Eu não sabia falar nada mas sabia bem falar "Bola de fogo".


Um dia a sogra ligou e eu atendi e confundi a voz dela com a minha esposa e respondi rapidinho, "Sou eu Bola De Fogo...e aê tá de bobeira hoje ?....". Bom, eu não sei depois o que aconteceu. Ou talvez a minha sogra me achou um safadinho ou algo errado.